Como os pais devem interagir com a escola com filhos com TDAH
17 de julho de 2026 · Dra. Camilla Santos Caiado · CRM-GO 17.629 · RQE 14527
A parceria entre família e escola é essencial para crianças com TDAH. Neste artigo, compartilho orientações práticas sobre como estabelecer uma comunicação produtiva com a escola, quais adaptações solicitar e como construir um ambiente de colaboração que favoreça o desenvolvimento do seu filho.
A parceria entre família e escola é fundamental para o desenvolvimento de qualquer criança. Quando falamos de crianças com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), essa colaboração se torna ainda mais importante.
Como mãe e neuropediatra, sei que esse diálogo nem sempre é fácil. Mas quando bem construído, ele pode fazer toda a diferença no dia a dia escolar do seu filho. Vou compartilhar orientações práticas sobre como estabelecer essa comunicação de forma produtiva.
Compartilhe o diagnóstico de forma adequada
O primeiro passo é comunicar à escola sobre o diagnóstico. Isso não é expor seu filho, mas sim garantir que ele receba o suporte necessário.
O que fazer:
- Agende uma reunião com a coordenação pedagógica e professor(a)
- Leve relatórios médicos atualizados
- Explique as particularidades do seu filho, não apenas o diagnóstico genérico
- Esclareça que TDAH não é falta de educação, preguiça ou desinteresse
Lembre-se: a escola precisa entender que o comportamento da criança tem base neurobiológica e que, com estratégias adequadas, ela pode ter sucesso acadêmico.
Construa uma comunicação regular e objetiva
A comunicação não deve acontecer apenas quando há problemas. Estabeleça um canal regular de contato com a escola.
Sugestões práticas:
- Defina uma rotina de comunicação (semanal, quinzenal ou mensal)
- Use agenda, e-mail ou aplicativos que a escola utiliza
- Seja específica nas perguntas: "Como ele reagiu à prova?" em vez de apenas "Como ele está?"
- Compartilhe o que funciona em casa e pergunte o que funciona na escola
Essa troca contínua permite ajustes rápidos e evita que pequenos desafios se tornem grandes problemas.
Proponha estratégias de apoio
Você conhece seu filho melhor do que ninguém. Compartilhe estratégias que funcionam em casa e esteja aberta para ouvir o que a equipe escolar propõe.
Exemplos de adaptações que podem ser úteis:
- Sentar nas primeiras fileiras, longe de janelas e portas
- Dividir atividades longas em etapas menores
- Permitir pequenas pausas durante tarefas extensas
- Usar recursos visuais para organizar a rotina
- Dar instruções de forma clara, de preferência olhando nos olhos
- Combinar sinais discretos entre professor e aluno para retomar o foco
Importante: essas adaptações não são privilégios, são ajustes necessários para que a criança possa demonstrar seu real potencial.
Conheça os direitos do seu filho
Crianças com TDAH têm direito a adaptações pedagógicas, mesmo sem laudo de deficiência. Isso está previsto em lei.
A escola deve elaborar um Plano de Ensino Individualizado (PEI) ou Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), documentando as estratégias que serão utilizadas.
Mantenha-se informada sobre os direitos, mas aborde a escola com espírito de parceria, não de confronto. Na maioria das vezes, a escola quer ajudar, mas pode precisar de orientação sobre como fazer isso.
Evite alguns erros comuns
Não faça:
- Esperar que apenas a medicação resolva tudo (quando há medicação)
- Culpar a escola por todas as dificuldades
- Omitir informações importantes sobre o tratamento
- Aceitar rótulos negativos sobre seu filho
- Desqualificar o trabalho dos professores
Faça:
- Reconhecer os esforços da equipe escolar
- Buscar soluções em conjunto
- Manter o tratamento multidisciplinar (quando indicado)
- Celebrar as conquistas, por menores que pareçam
Saiba quando buscar ajuda adicional
Se, mesmo com as adaptações e o diálogo estabelecido, seu filho continuar enfrentando dificuldades significativas, pode ser necessário:
- Revisar o tratamento com o neuropediatra
- Incluir ou intensificar acompanhamentos terapêuticos
- Considerar avaliação neuropsicológica
- Em casos extremos, avaliar se o ambiente escolar é adequado às necessidades da criança
Lembre-se: é uma jornada
A adaptação escolar de uma criança com TDAH não acontece da noite para o dia. Haverá dias bons e dias difíceis. O importante é manter a comunicação aberta, o respeito mútuo e o foco no bem-estar e desenvolvimento da criança.
Você não está sozinha nessa jornada. A escola pode ser uma grande aliada, e juntos vocês podem ajudar seu filho a desenvolver todo o seu potencial.
Se você tem dúvidas sobre como conduzir essa conversa com a escola ou sobre quais adaptações podem ser úteis para o seu filho especificamente, procure orientação com o neuropediatra que acompanha a criança. Cada caso é único e merece um olhar individualizado.
Neuropediatra · CRM-GO 17.629 · RQE 14527
Sobre este assunto no consultório
Escrito por
Dra. Camilla Santos Caiado
Médica neuropediatra em Goiânia · GO — CRM-GO 17.629 · RQE 14527
Residência em Pediatria e pós-graduação em Neuropsiquiatria da Infância e Adolescência no Hospital das Clínicas da UFG; residência em Neurologia Infantil na UNIFESP.
Publicado em: 17 de julho de 2026
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